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Porto Rico: de Viejo San Juan aos lugares ligados a Bad Bunny

São João Porto Rico

No centro histórico de San Juan, fachadas coloniais coloridas revelam a faceta vibrante da cidade (Brad Clinesmith/Wikimedia Commons)

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Porto Rico está na boca do mundo graças ao sucesso estrondoso que Bad Bunny vem fazendo em quase todo planeta. Depois do breve e antológico show no Super Bowl, e das referências da ilha que o músico trouxe para a apresentação, uma curiosidade por Porto Rico foi atiçada ainda mais. A partir do Brasil, não há voos diretos, mas com a Copa é possível fazer uma conexão no Panamá e seguir até a ilha. A seguir, contamos um pouco sobre a sua história e como seguir os passos – e os ritmos – do seu filho mais famoso.

São Joãocapital de Porto Rico, é um dos mais importantes hubs portuários do Caribe e recebe cerca de 1,5 milhão de cruzeiristas a cada ano. Muitos vêm de Miamique está a duas horas e meia de voo de lá, e embarcam em navios que se destinam a algumas ilhas lindíssimas, como São Bartolomeu, Virgem Gorda e São João. Uma das grandes vantagens é o fato de os navios atracarem diretamente no cais que fica a poucos passos de Velho San Juanum dos centros históricos mais lindos das Américas.

Basta colocar o pé fora do navio para deparar com ruas de paralelepípedo e um casamento do século 16 muito bem preservado, de quando a ilha era possessão espanhola e tinha papel estratégico. Naquela época, Porto Rico era a primeira ilha de tamanho específico que os navegadores topavam quando vinham da Europa, um porto seguro em que era possível proteger seus galeões carregados de ouro e prata arrecadados das colônias do Novo Mundo e abastecer-se de água e alimentos. Por 350 anos a Espanha protegeu a entrada da Baía de San Juan com unhas, dentes, muitos canhões e uma muralha de quase 5 quilômetros.

O futuro ainda em votação

Na primeira metade do século 19, a Espanha passou a perder suas colônias. Porto Rico foi cedida aos Estados Unidos após a guerra hispano-americana em 1898. A ilha só ganhou o status de Estado Livre Associado aos Estados Unidos em 1952, o que significa que os porto-riquenhos são cidadãos americanos, ainda que não votem para presidente. Logotipo, ó território tem autonomia administrativa interna, podendo eleger seu governador, mas continua subordinado ao Congresso americano

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De leste a oeste, a ilha possui 180 quilômetros; de norte a sul, 65. São João é uma capital, onde vivem cerca de 600 mil pessoas (na ilha inteira, 3,2 milhões). Os bairros com maior apelo turístico são Condadoque reúne muitos resorts à la Miami Beach, e o bem preservado centro histórico Velho São João.

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San Juan, porto rico
San Juan e o imponente Forte San Felipe del Morro (Diego F. Parra/Pexels)

No centro histórico, olhar para dentro das casas é atividade obrigatória

Começamos com uma volta pelo traçado colonial de Viejo San Juan. O menu é variado. Quanto mais perto do porto, maior é a quantidade de restaurantes e bares. Do porto você está a um pulo do Passeio da Princesaum boulevard ladeado por árvores e barraquinhas que vendem petiscos variados. Aqui já é possível avistar a muralha que contorna praticamente todo o centro histórico. Subindo a Rua Tanca, ou qualquer uma das suas paralelas, surja o gracioso casamento. UM Rua São Francisco é uma das principais ruas comerciais de Velho São João, com muitas lojas de souvenirs, joalherias e lanchonetes.

UM Rua do Cristo reúne, veja o paradoxo, algumas das vitrines mais sofisticadas, com boutiques, joalherias, galerias e lojas como o Coach Outlet. Ainda na Cristo, merece uma espiada, agora sim, a Catedral de San Juan Bautistaque guarda o túmulo de Ponce de León, o primeiro governador de Porto Rico, e o antigo convento das Carmelitas de 1651, hoje transformado no hotel de luxo El Convento. Mesmo que você não esteja hospedado, áreas como o pátio central e os espaços comuns do hotel costumam ser acessíveis aos visitantes que vão ao restaurante Pátio del Nispero. Subindo um pouco mais a Cristo você topa com a Rua Sebastiánque nas noites dos fins de semana muita gente de toda a ilha em seus bares.

O esporte de observar pessoas em seu habitat pode ser amplamente praticado. As casas são praticamente uma extensão da rua e muitas portas e janelas ficam abertas porque é a vida acontecendo. Foram tantas janelas e portas escancaradas que ficou difícil resistir ao “convite” daquela espiada. Pairava no ar um cheiro de madeira e maresia, tão comum nas cidades históricas à beira-mar. Algo que lembra um pouco o cheiro de Paraty. De algumas casas vi apenas o teto reforçado com imensas vigas aparentes, de onde pendiam lustres de ferro. De outras, escadas com detalhes em azulejo. Um encanto.

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Continuando o passeio a pé na direção norte, em determinado ponto se avistam a muralha que cerca a cidade e o mar. Sinal de que você está chegando Rua Norzagaray. À esquerda, já se vê a Fortaleza de San Felipe del Morro, conhecido El Morroque começou a ser erguida em 1539 e marca a entrada da Baía de San Juan. Nada obstrui a sua visão. Na frente há uma gigantesca esplanada, onde crianças soltam pipa e famílias fazem lanche. A fortaleza tem seis andares, um farol e tudo está interligado por rampas. Para ir ao que interessa, suba direto ao nível 6, de onde se tem uma vista de 360 ​​graus para o mar e São João. Depois, desça ao nível 4 por uma escadaria profunda, na qual a construção forma uma espécie de proa.

Imperdível também a Fortaleza de São Cristóvão, que fica na outra ponta, seguindo pela mesma Rua Norzagaray. Enquanto El Morro protegia San Juan das investidas pelo mar, São Cristóvão foi erguida para impedir os ataques realizados por terra. O bacana ali é o longo sistema de sintonizações que leva a masmorras mal iluminadas. As crianças gostam.

Porto Rico também é famosa por ter exportado a salsa. Bom, na verdade a origem é controversa, porque os cubanos também reivindicam a invenção. O fato é que se ouve o ritmo, misturado ao reggaeton, não só passando na frente dos bares de Velho San Juan como também nas rádios.

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Se precisar de um pretexto para deixar o Velho São João, uma boa pedida é ir até Fajardoonde está o Resort El Conquistador, que tem um campo de golfe e uma ilha privada. À noite, a boa é fazer o passeio na lagoa local, que tem algas bioluminescentes. Você vai curtir, mas aposto que vai querer voltar logo para o Velho São João.

Algas que alumiam

A 65 quilômetros de Viejo San Juan, no vilarejo de Las Croabas, no município de Fajardo, fica uma das atrações mais bacanas de Porto Rico, a Baía de algas bioluminescentes. A ocorrência acontece quando um Pirodinium bahamese, uma alga microscópica, sofre uma ocorrência química ao ser tocada, produzindo um flash. Os passeios só acontecem à noite e são feitos de barco ou caiaque. Optei pelo segundo.

Depois de breves instruções à beira da lagoa sobre como remar, desviar dos barcos e seguir sempre em fila indiana, vestimos coletes e montamos os caiaques em duplas. Assim que adentramos o manguezal, começou o breve. Lá pelas tantas o guia berrava: “Todos para a esquerda!” E lá vinha um barco a motor (elétrico para não poluir a lagoa) cheio de turistas. O passeio não é para amadores. Em vários momentos não consegui controlar o caiaque. Mas o cenário e a brincadeira de acender a natureza valem muito a pena. A Puerto Rico Atividades e Bio-Island Boat Trip organizam os passeios.

Nossos passos de Bad Bunny

Se existe alguém que se transformou Porto Rico na trilha sonora global, esse alguém é Benito Antonio Martínez Ocasio, ou como é mais conhecido, Bad Bunny. Ó O maior embaixador pop da ilha faz questão de cantar, filmar e mostrar suas raízes sempre que puder. Para quem quer explorar o país com uma trilha sonora tocando de fundo, dá para montar um roteiro misturando bairros vibrantes e endereços frequentados (ou citados) pelo artista.

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SANTURCE

Se você tiver que começar por um lugar, comece pelo bairro Santurce. Citado com frequência nas letras e entrevistas de Bad Bunny, é ali que a arte urbana ocupa fachadas inteiras e o Museu de Arte de Porto Rico divide espaço com os murais coloridos.

Quando o sol se põe, a própria discografia já dá o roteiro. Em “Te Boté – Remix”o cantor sugere um “perreo sujo na Placita”, aquele reggaeton bem sarrado. La Placita de Santurcemercado centenário durante o dia, se transforma num grande encontro a céu aberto depois do pôr do sol, com bares como La Penúltima e La Alcapurria Quemá loteados. A poucas quadras dali, uma Rua Loíza concentra bares, restaurantes e lojas independentes.

Que prendan la’ máquina’, voy pa’ Santurce”,dispara em “DtMF”.

VIEJO SAN JUAN

Bad Bunny já falou mais de uma vez sobre a importância de viver São João como local. No centro histórico, além das fortalezas e das ruas de pedra, vale olhar para bairros que passam por transformações aceleradas, como La Perla, destacado no projeto audiovisual “El Apagón”em meio a críticas à desigualdade e à especulação imobiliária. Mas não se esqueça sozinho, informe-se antes sobre a segurança.

O centro já foi lar do Café com Ron, aberto em 2025 e associado ao cantor. Batizado com o nome de uma faixa de Debí Tirar Más Fotoso espaço trabalhado por alguns meses como café e bar até fechar as portas em novembro.

CONDADO

“Ayer te viron dizque en Fifty Eight con outro tipo”, canta em “Ei, não, soja Celoso”, expressando seus ciúmes.

O verso faz referência à boate Cinquenta e Oitonenhum subsolo faz Resort La Concha, eles Condado. O endereço é um ícone da noite porto-riquenha, com iluminação cênica, pista sempre cheia e muito reggaeton. Mesmo para quem não pretende dançar até o amanhecer, o bairro reúne hotéis, restaurantes e clubes de praia que ajudam a revelar o lado mais cosmopolita de São João.

PALOMINO

Na música “El Apagón”, Coelhinho Mau diz: Pichea Maldiva’, eu me quedo em Palomino” – algo como “esquece as Maldivas, eu fico em Palomino”.

Nas redes sociais, o cantor já apareceu jogando dominó em Rincóncidade praiana conhecida pelo surfe e pelo clima descontraído. Ali perto, Mayagüez é a principal cidade da região e combina arquitetura histórica com acesso fácil às praias como Barco Batido e à ilha Desecheoprocurada por mergulhadores. Não por acaso, ele cita o lugar em “Dos Mil 16”, ao cantar “Mañana en Aljibe y me quedo por el Maya”, numa referência a passar pelo Aljibe e seguir pelo oeste, aproveitando o dia sem pressa de ir embora.

Mais ao sul, em Cabo Rojo, um Praia Sucia entrega um dos cenários mais preservados de Porto Rico, com faixa de areia clara, mar transparente e quase nenhuma interferência urbana.

VEGA BAJA

Benito cresceu em Vega Baixano litoral norte de Porto Ricouma área de praias amplas e clima mais residencial. Em entrevistas, ele já falou sobre a importância de valorizar a comida local e os pequenos restaurantes da região, onde pratos como mofongo fazem parte do cotidiano.

Se você estiver por ali, dá para esticar até Arecibo e incluir a caverna Cueva Ventana sem roteiro. Uma trilha leva até uma caverna com inscrições pré-colombianas e uma abertura que funciona como uma moldura natural sobre o vale verde do Rio Grande de Arecibo. É o tipo de paisagem que ajuda a entender de onde vem o apego do cantor à ilha.

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